sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Meninos-homens [tributo aos solitários que têm a calçada imunda por monumento]
“Vestidos de farrapos, sujos, semi-esfomeados, agressivos, soltando palavrões e fumando pontas de cigarros, eram em verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas.”
Capitães da Areia [Jorge Amado]
O brilho daquela noite destoava imensamente com a figura do menino esfarrapado e sujo, que a luz da lua insistia em não ocultar. Como que um tributo ao sofrimento daquele menino-homem, uma bela lua cheia reverberava pela imensidão da noite. Temeroso de ser encontrado embrenhara-se naquela beira de estrada. Temeroso de ser encontrado. Provavelmente ninguém o procurava, e a cada momento isso o angustiava cada vez mais. Em cada instante de fome, de frio ou de cansaço esse pensamento retornava a sua cabeça. E retornava como reflexões incrivelmente profundas para um garoto. Realmente não era mais um menino. A barba singela incrustada em seu queixo denunciava os muitos anos sofridos nas ruas. Em princípio contava os dias, mas a operação se tornou dispensável com o acúmulo invariável de dias todos iguais. Iguais em descaso, iguais em sofrimento, iguais em ausência e principalmente, iguais a de outros tantos meninos de rua. Mas o longínquo período habitando vielas insalubres contribuiu para o seu rápido amadurecimento, os ambientes inadequados o compeliam a um rápido envelhecimento. Com toda a certeza, o seu rosto não era um dos mais requisitados para as luxuosas propagandas de cosméticos. Alias o seu rosto enegrecido pelo sol do sul dos trópicos não são os melhores indicadores de que algum dia ele tenha se aproximado de um sabão neutro ou de um creme-hidratante, palavras que ouvira dizer em uma conversa entre duas madames da parte alta da cidade, palavras que obviamente não lhe expressavam nada. É como se fosse invisível ao restante das pessoas. Mas todos são iguais perante Deus, palavras usadas por um pároco que escutara uma vez no reformatório. Mas por que então todo aquele ódio, todo aquele desprezo, aquela completa e irreversível falta de consideração. A sua cabeça não entendia essas coisas. Ele talvez só fosse um menino grande. Um menino forte, apesar do extremo sofrimento e dos continuados descasos do Estado. Um menino que na mais tenra idade já sofria devido à extrema pobreza. Um menino-homem que compreendeu que a causa de seus problemas é a profunda desigualdade existente.
Um sobrevivente das ruas. Um sobrevivente que como outros tantos milhares ainda encontram-se despojados das necessidades mais básicas, negligenciado por aqueles que deveriam defendê-lo. Esquecidos e achincalhados por um sistema corrupto e irracional que não proporciona condições dignas aos futuros cidadãos. A sua cabeça agora zunia, deixando seus pensamentos confusos e desconexos. A miséria e a longa vida de indigente cobravam seu preço. Com a saúde muito frágil eram constantes aqueles mal-estares, talvez tudo isso não passasse de mais um triste delírio. Um dia acordaria e não seria preciso furtar, nem se esconder. Talvez um dia a sociedade garantisse alimento a todas as pessoas. Sonhos ainda muito distantes para a sua realidade. Seu corpo agora aparentava como a de um faminto que ele era, os seus músculos fraquejavam em tentativas inglórias de se movimentarem. A fome e a carestia silenciosamente estavam finalmente conseguindo submetê-lo a seu jugo. Gargalhadas soaram ao fundo. Devia ser outros garotos rindo das lágrimas que agora já escorriam em seu rosto. O ridículo da situação era que o menino sujo e esfarrapado havia entendido a brevidade da vida. A noite ensolarada ia se fechando paralelamente a seus olhos. Finalmente a liberdade prevalecia à opressão. Libertava-se de um corpo que já lhe havia oprimido imensamente. Chuvas e raios e trovões surgiam ao horizonte. Astros e estrelas observavam perplexos os suspiros finais de um homem. Agora se tornara verdadeiramente um homem. Um homem consciente de sua brevidade, ciente da imensa injustiça em se existirem meninos de rua. Calmamente a natureza oferecia as derradeiras honrarias ao padecimento dos solitários que têm a calçada imunda por monumento.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Serpente
Serpente é deslizar por entre os matagais penteando as graminhas a nascer
Serpente é passar por entre os cabelos alisando-os e arrumando-os
Serpente é ter que caçar ratinhos pra viver
Serpente é ter que aguentar cabelos oleosos e cabeças semi-calvas
Serpente é passar por entre os cabelos alisando-os e arrumando-os
Serpente é ter que caçar ratinhos pra viver
Serpente é ter que aguentar cabelos oleosos e cabeças semi-calvas
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Uma noite hiperativa
(Para pegar o espírito do texto, leia como estou lendo tudo por agora, leia como se você tivesse que fazer algo urgente... Imagine que você vá perder o voo, ou senão que se você não chegar a tempo naquele lugar, aquela coisa pode sair no lugar errado...)
Na verdade não é a noite, sou eu. Eu estou hiper ativo, hiperativo, seja lá como for. Aliás, o blog é meu, só meu. Quem manda sou eu. Eu escolho o jeito que escrevo! Na verdade não, eu sigo as regras, escrevo da forma quase certa.
Será?
Seguinte, estou agitado à 1 e 43 da manhã! Eu tô cansado, na verdade não tô cansado, eu estou com sono! Mas de alguma forma não quero ir deitar!
Estou angustiado! Não sei o porquê. To me sentindo um hamster, sabe um hamster muito agitado?
Geralmente hamster fica dormindo, mas eu não estou dormindo, estou bem acordado e agitado, meu coração pulsa, mas todo coração pulsa....
Ele pulsa rápido! Mais rápido que o normal, mas nem tanto. Imagine um coração pulsando, agora aumente a velocidade, isso, mais um pouco... Calma, você aumentou demais, acalme-se pois o agitado sou eu. Estou assim, meio elétrico, não estou ofegante. Os hamster elétricos são ofegantes, eles precisam de uma roda, a roda é tipo uma academia!
Se eu fizesse academia eu ia me sentir um hamster mais ainda. Sério, fazer os mesmos exercícios sempre em um lugar fechado! Louco demais,
Academais são gaiolas de hamsters agitados, mas nem todos na academia são agitados. Tá talvez a maioria, mas tem os hamsters preguiçosos, que fazem exercício só pra agradar o dono, ou pra agradar a hamster do lado, aquela hamster malhada, com manchas marrons o pêlo cinza...
É estranho ficar assim de madrugada, geralmente de madrugada nós ficamos mais calmos, ou como diria os mano, ficamos Rilécs...
Me deu vontade de digitar, escrever, escrever rápido, muito rápido e não olhar pra trás pra conferir e muito menos tentar lembrar o que foi escrito, é imbecil mas, mas, mas... acelera-me o coração ainda mais toda vez que digito uma palavra, uma palavra a mais, e o fluxo mantém-se constante o fluxo de pensamentos me mantêm acordado... É uma volta muito louca, e já estou usando a palavra "louca" de forma exagerada.
Imagine que você, viciado em cafeína, tenha tomado café, logo ingeriu cafeína, muita cafeína, cafeína suficiente para uma semana, sua pupilas dilatam-se, seu coração aumenta o rítmo, seus músculos ficam louco para contrair e relaxar de forma rápida blá blá blá você já entendeu.
Tenho alguns planos para o fim desse ano e no imediato começo do ano que vem.
Para o fim desse ano quero comprar os ingressos pro show do U2! E pro ano que vem quero passar no vestibular! Eu vou conseguir! Vou guardar as energias de hoje para alcançar este último objetivo
abraços a todos que leram isso pacientemente, vocês são Incríveis!!!!
Na verdade não é a noite, sou eu. Eu estou hiper ativo, hiperativo, seja lá como for. Aliás, o blog é meu, só meu. Quem manda sou eu. Eu escolho o jeito que escrevo! Na verdade não, eu sigo as regras, escrevo da forma quase certa.
Será?
Seguinte, estou agitado à 1 e 43 da manhã! Eu tô cansado, na verdade não tô cansado, eu estou com sono! Mas de alguma forma não quero ir deitar!
Estou angustiado! Não sei o porquê. To me sentindo um hamster, sabe um hamster muito agitado?
Geralmente hamster fica dormindo, mas eu não estou dormindo, estou bem acordado e agitado, meu coração pulsa, mas todo coração pulsa....
Ele pulsa rápido! Mais rápido que o normal, mas nem tanto. Imagine um coração pulsando, agora aumente a velocidade, isso, mais um pouco... Calma, você aumentou demais, acalme-se pois o agitado sou eu. Estou assim, meio elétrico, não estou ofegante. Os hamster elétricos são ofegantes, eles precisam de uma roda, a roda é tipo uma academia!
Se eu fizesse academia eu ia me sentir um hamster mais ainda. Sério, fazer os mesmos exercícios sempre em um lugar fechado! Louco demais,
Academais são gaiolas de hamsters agitados, mas nem todos na academia são agitados. Tá talvez a maioria, mas tem os hamsters preguiçosos, que fazem exercício só pra agradar o dono, ou pra agradar a hamster do lado, aquela hamster malhada, com manchas marrons o pêlo cinza...
É estranho ficar assim de madrugada, geralmente de madrugada nós ficamos mais calmos, ou como diria os mano, ficamos Rilécs...
Me deu vontade de digitar, escrever, escrever rápido, muito rápido e não olhar pra trás pra conferir e muito menos tentar lembrar o que foi escrito, é imbecil mas, mas, mas... acelera-me o coração ainda mais toda vez que digito uma palavra, uma palavra a mais, e o fluxo mantém-se constante o fluxo de pensamentos me mantêm acordado... É uma volta muito louca, e já estou usando a palavra "louca" de forma exagerada.
Imagine que você, viciado em cafeína, tenha tomado café, logo ingeriu cafeína, muita cafeína, cafeína suficiente para uma semana, sua pupilas dilatam-se, seu coração aumenta o rítmo, seus músculos ficam louco para contrair e relaxar de forma rápida blá blá blá você já entendeu.
Tenho alguns planos para o fim desse ano e no imediato começo do ano que vem.
Para o fim desse ano quero comprar os ingressos pro show do U2! E pro ano que vem quero passar no vestibular! Eu vou conseguir! Vou guardar as energias de hoje para alcançar este último objetivo
abraços a todos que leram isso pacientemente, vocês são Incríveis!!!!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Uberlânida, 24 de Novembro de 2010
Hoje eu decidi escrever tudo o que eu não escrevi por muito tempo. Decidi escrever tudo o que vier em minha cabeça.
Mas quando paro frente a esse teclado, parece que tudo o que eu pensava antes foge da minha mente... é estranho, mas acho que muitas pessoas quando querer expressar o que pensam, sentem algo parecido. Quantas folhas de redação já encaramos esperando aparecer algo que valha a pena ser escrito? É o que geralmente acontece quando abro meu blog e tento transcrever os pensamentos da minha cabeça para essa página em branco.
Antes, alguns minutos atrás, eu estava pensando em tantas coisas, vários assuntos e quando me vejo frente a frente à situação, é como se eu não tivesse pensado em nada.
Mudando de assunto...
Depois do ano passado, comecei a reparar o quão desgastante é um ano escolar. No final do ano passado, mais ou menos no meio de outubro, eu e mais quase todos que conheço não aguentavam mais ir pra aula! Uma coisa que é divertida, pelo menos pra mim, passou a ser algo completamente desgastante. Eu gosto de ir às aulas pois encontro os meus amigos e junto deles eu consigo me divertir além de 'estudar', mas a rotina da escola, acordar às 6 da matina todos os dias e estudar coisas que não fazem sentido para a maioria de nós, acaba com qualquer chance de ter bons momentos.
O que mais desgasta é que a escola, de forma geral, não se preocupa em formar uma massa pensante, pessoas que buscam refletir sobre o país em que vivem ou que buscam mudar o ambiente que lhes incomoda. Nosso cérebro é bombardeado com inúmeras matérias que provavelmente não terão nenhum uso prático em nossas vidas, claro que conhecimento nunca é demais, porém, o papel da escola não deveria preparar novas tropas de alienados prontos para lutar pelo seu salário no final do mês, ou formar medíocres que estão pouco se fudendo pro mundo a sua volta, não ligando inclusive para o próprio mundo, não buscam melhorar a condição em que vivem e se eles tem o dinheiro para tomar a cervejinha no final do mês, tá perfeito!
A falta de senso crítico no nosso país é preocupante. Quantos e-mails circulam pela web com informações de assaltos a salas de cinemas, novos golpes na praça, informações duvidosas sobre políticos... E tudo isso é absorvido e tomado como sendo verdade! O povo não tem a preocupação de pesquisar durante dois minutos sobre o assunto e já saem dizendo que o país está um caos e que os bandidos estão cada vez mais ousados e ao menos sabem que o assalto no shopping IGUATEMI já teve a mesma versão em Brasília, Campinas e Florianópolis. Realmente, eles estão agindo muito... Veja aqui sobre os assaltos: aqui e aqui.
Quando vejo propagandas de faculdades particulares, o que eles deixam bem claro é " venha se preparar para O MERCADO DE TRABALHO " e foda-se o resto. Não produza conhecimento! Apenas ganhe seu dinheiro e enfie onde bem quiser.
Eu penso que a escola devia ser mais do que um centro de adestramento e passasse a ser um local de consolidação de mentes. Uma forma de acabar com esse mundo mesquinho e nojento onde vivemos. O ser humano me dá nojo.
Esses dias pra trás quando estava indo para a minha querida escola, passei em frente a um pet shop e vi algo que foi impactante. Era quase sete horas da manhã, e a loja estava abrindo suas vitrines. Nelas, havia vários cachorrinhos fofinho e caros, animais que não saem por menos de 2 mil reais. E embaixo de uma vitrine, repousava um outro animal, porém este não era um cachorro, era um ser humano, dormindo embaixo da marquise da loja para se proteger da fina chuva que caía. Sua camiseta estava levantada, cobrindo sua cabeça. Talvez uma forma de se proteger da luz do Sol nascente, ou talvez uma forma de não ter que conviver com aqueles que tem uma vida mais digna que a sua, os cachorros.
Mas quando paro frente a esse teclado, parece que tudo o que eu pensava antes foge da minha mente... é estranho, mas acho que muitas pessoas quando querer expressar o que pensam, sentem algo parecido. Quantas folhas de redação já encaramos esperando aparecer algo que valha a pena ser escrito? É o que geralmente acontece quando abro meu blog e tento transcrever os pensamentos da minha cabeça para essa página em branco.
Antes, alguns minutos atrás, eu estava pensando em tantas coisas, vários assuntos e quando me vejo frente a frente à situação, é como se eu não tivesse pensado em nada.
Mudando de assunto...
Depois do ano passado, comecei a reparar o quão desgastante é um ano escolar. No final do ano passado, mais ou menos no meio de outubro, eu e mais quase todos que conheço não aguentavam mais ir pra aula! Uma coisa que é divertida, pelo menos pra mim, passou a ser algo completamente desgastante. Eu gosto de ir às aulas pois encontro os meus amigos e junto deles eu consigo me divertir além de 'estudar', mas a rotina da escola, acordar às 6 da matina todos os dias e estudar coisas que não fazem sentido para a maioria de nós, acaba com qualquer chance de ter bons momentos.
O que mais desgasta é que a escola, de forma geral, não se preocupa em formar uma massa pensante, pessoas que buscam refletir sobre o país em que vivem ou que buscam mudar o ambiente que lhes incomoda. Nosso cérebro é bombardeado com inúmeras matérias que provavelmente não terão nenhum uso prático em nossas vidas, claro que conhecimento nunca é demais, porém, o papel da escola não deveria preparar novas tropas de alienados prontos para lutar pelo seu salário no final do mês, ou formar medíocres que estão pouco se fudendo pro mundo a sua volta, não ligando inclusive para o próprio mundo, não buscam melhorar a condição em que vivem e se eles tem o dinheiro para tomar a cervejinha no final do mês, tá perfeito!
A falta de senso crítico no nosso país é preocupante. Quantos e-mails circulam pela web com informações de assaltos a salas de cinemas, novos golpes na praça, informações duvidosas sobre políticos... E tudo isso é absorvido e tomado como sendo verdade! O povo não tem a preocupação de pesquisar durante dois minutos sobre o assunto e já saem dizendo que o país está um caos e que os bandidos estão cada vez mais ousados e ao menos sabem que o assalto no shopping IGUATEMI já teve a mesma versão em Brasília, Campinas e Florianópolis. Realmente, eles estão agindo muito... Veja aqui sobre os assaltos: aqui e aqui.
Quando vejo propagandas de faculdades particulares, o que eles deixam bem claro é " venha se preparar para O MERCADO DE TRABALHO " e foda-se o resto. Não produza conhecimento! Apenas ganhe seu dinheiro e enfie onde bem quiser.
Eu penso que a escola devia ser mais do que um centro de adestramento e passasse a ser um local de consolidação de mentes. Uma forma de acabar com esse mundo mesquinho e nojento onde vivemos. O ser humano me dá nojo.
Esses dias pra trás quando estava indo para a minha querida escola, passei em frente a um pet shop e vi algo que foi impactante. Era quase sete horas da manhã, e a loja estava abrindo suas vitrines. Nelas, havia vários cachorrinhos fofinho e caros, animais que não saem por menos de 2 mil reais. E embaixo de uma vitrine, repousava um outro animal, porém este não era um cachorro, era um ser humano, dormindo embaixo da marquise da loja para se proteger da fina chuva que caía. Sua camiseta estava levantada, cobrindo sua cabeça. Talvez uma forma de se proteger da luz do Sol nascente, ou talvez uma forma de não ter que conviver com aqueles que tem uma vida mais digna que a sua, os cachorros.
domingo, 31 de outubro de 2010
Retas Paralelas

Simplesmente não posso definir o que é o amor. Se soubesse explicar o que sinto, não a amaria, pois “o amor foge de todas as explicações possíveis”. Simplesmente não posso viver sem o seu amor. Sem você, simplesmente existo. Não me importo em ser um escritor desconhecido, um profissional desqualificado, um filho bastardo, temo simplesmente ter me tornado um amante fracassado. Já chorei por sua ausência, mas o pranto que mais me dói, é saber que “lágrimas não são argumentos”. Suportei a vida sem conforto, o trabalho sem descanso, a escrita sem poesia. Lutei por causas perdidas, critiquei a sociedade de classes, segui aos confins da terra o sonho de liberdade. Sobrevivi. Apenas para construir um jardim, onde nosso amor pudesse florescer. Sobrevivi. Apenas para eternizar nossa paixão. Sobrevivi. Apenas para ouvir sua voz doce, cheia de palavras a mim amargas.
Não peço que me ame por compaixão. “É inútil obter por piedade aquilo que desejamos por amor.” Peço apenas que não sofra. Que ao ver o meu cadáver frio, saiba que um dia, dentro dele batia um coração ardente, cadenciado pelos seus passos. Desejo a mais pura felicidade a você, a mesma felicidade que usufrui nos momentos a seu lado, e nas agora distantes lembranças se sua face. Chore, grite, brigue, vibre, lute, morra, mas nunca fique sem expressar os seus sentimentos, por mais ridículos e incompreensíveis que possam parecer. Provavelmente os mais belos poemas não existiriam, se os grandes escritores não ousassem falar do ridículo ou escrever sobre o incompreensível.
Espero que tenha amigos. Verdadeiros ou não. Valorize os que enxugam as suas lágrimas antes que o reverberar do Sol as seque. Espero que tenha sonhos. Impossíveis ou não. Valorize os mais difíceis, são estes que levam a grandes conquistas. Espero que tenha grandes amores. Duradouros ou não. Pois eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica, ecoando na eternidade. Busque se lembrar de mim. Simples e verdadeiramente. Ao olhar o por do Sol, lembre-se que eu viveria sem a luz do Sol, mas morreria sem o brilho do seu sorriso. Ao ver uma criança, se lembre da inocência juvenil com que conquistei sua amizade. Ao ler um poema de amor, saiba que você foi a musa inspiradora das rimas de minha vida, autora dos versos mais bonitos.
Nossos caminhos se desvencilham aqui. Mas assim sempre foi. Nossos destinos são como duas linhas paralelas, que de tão próximas, chegam a bailar num mesmo ritmo. Dançarinos que não ousam se tocar. Retas paralelas. Quem sabe elas não se encontram no infinito?
(Edson de Sousa)
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